Oh! Bendito o que semeia
Livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
O livro, caindo n'alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar!
(Castro Alves, Espumas Flutuantes, 1870.)
Se vocês pensam que este será um dos meus posts pessimistas,
vocês acertaram. Porque essa hora eu estou com ânsia. Ânsia por causa das
pessoas que se limitam a vomitar seus preconceitos travestidos de preocupação.
Gente que está presa ao que eles “aprendem” em redes sociais, mas que não
aprenderam nem a escrever as palavras direito. Gente que não consegue abrir um
poema simples como esse do Castro Alves e realmente entender suas palavras.
Já falei outras vezes neste blog sobre a importância do
aprendizado. E, acreditem, o funileiro da esquina não vai saber qual é o melhor
remédio para a sua dor de cabeça, do mesmo jeito que o farmacêutico não sabe o
que é melhor para a lataria do seu carro.
Cada um no seu quadrado? Mais ou menos.
Não estou dizendo que as pessoas não têm o direito de
opinar, mas já passou da hora delas entenderem que se as suas opiniões não tiverem
base nenhuma de discussão, devem morrer no silêncio.
É por isso que prefiro os livros. Não porque eu já não tenha
lido muita besteira, mas ao menos não existe um debate sem fim por conta do que
está escrito. Não há idiotas curtindo ou mandando cara feia pra você por
entender e aceitar aquele conteúdo. Nem vai ter ninguém lhe chamando de
comunista, feminista etc. sem nem saber o significado dessas palavras.
Ontem eu estava vendo um post sobre uma carreata contra o
lockdown e me fez pensar que tipo de gente acha mais importante ganhar dinheiro
do que sobreviver a um vírus? São as mesmas pessoas que acham que um ônibus
lotado não é problema delas? Que os meios de um funcionário chegar ao trabalho,
ou se acabar de trabalhar sem ter o suficiente para se sustentar não é problema
de todos?
Estou à beira de fazer 60 anos e já vi muito isso. Pensei
que superaríamos as bobagens e veríamos que um mundo não se faz com egoísmo. Um
mundo onde as coisas importantes não são os sapatos da moda, os celulares mais
modernos, os carros que fazem mais barulho. Mas parece que as coisas se
tornaram mais importantes do que as pessoas.
Sei que estamos todos chateados e querendo sair, porque nos
sentimos aprisionados. Mas essa “liberdade” é verdadeira? A sua opinião é
baseada em que? Você fez testes? Você sabe o que é um teste???
Voltando ao Castro Alves ali em cima, quantos livros sobre o
assunto você leu? Quantos experimentos fez para saber se está falando a
verdade? Porque você acredita que a sua opinião vai mudar alguma coisa?
Não vai. Mas seus atos podem mudar alguma coisa. Pare de
ficar vociferando bobagens nas redes e vá ler um livro. Vá aprender o que
significa ajudar. Pare de falar mentiras sobre as pessoas só porque elas não
são iguais a você. Pare de apontar o maldito dedo e estenda a bendita mão.
Leia mais! Pesquise! Entenda!
Se há uma coisa que aprendi com a democratização da
informação é que você pode ler de tudo, mas só vai entender se abrir de verdade
a sua mente e usar aquilo que é realmente útil: o conhecimento.
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