terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Quando todas as abelhas morrerem...

Polinizadores em risco de extinção são ameaça à vida do ser humano

Três coisas me fizeram pesquisar sobre isso e escrever. A primeira foi o meu artigo sobre alergias (o que é alergia? 1/2/2018, neste mesmo blog); a segunda, foi assistir (de novo!) o filme “Fim dos Tempos”, em que uma das questões levantadas é sobre a extinção de abelhas no hemisfério norte; e a terceira foi um e-mail recebido hoje de uma associação que defende um sem número de causas pelo mundo, a AVAAZ, falando sobre a extinção de colmeias no mundo todo por conta dos agrotóxicos, poluição, fatores ambientais causados pela intervenção humana e que se tornaram problema mundial.

Existe uma frase atribuída a Einstein, na qual ele comentaria que se as abelhas desaparecessem, a humanidade só sobreviveria por mais quatro anos . Só que isso foi na primeira metade do século XX. Estamos na segunda década do século XXI e a coisa parece ter piorado.

Gostaria de falar muito sobre isso, mas vou apenas até o ponto do meu conhecimento sobre o assunto. O problema da extinção das abelhas vai muito além do mel que elas fabricam; da própolis; cera e qualquer subproduto derivado. Precisamos de polinizadores. E abelhas são insetos polinizadores.

Estudos realizados por órgãos como o IBAMA e a Embrapa têm verificado o extermínio de abelhas causado por intoxicação com agrotóxicos em colmeias dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Os estudos apontam que vários produtos têm a capacidade de causar colapsos e distúrbios em colmeias. A intoxicação prejudica a comunicação entre as abelhas e isto impede que elas retornem às colmeias, levando ao extermínio dos enxames.

Muitos dos defensores do uso indiscriminado de agrotóxicos não levam em consideração que as plantas que precisam dos defensivos agrícolas também correm o risco de morrer se o ciclo de polinização for cortado. Sem polinização não há crescimento da planta. Sem planta não há alimento. Sem alimento não há mais nada. Portanto, cada vez que você vir algum “defensivo agrícola” sendo usado indiscriminadamente, pense que podemos estar agindo para a nossa própria extinção.

Estudos em realizados em todos os continentes mostram que abelhas, marimbondos, borboletas, morcegos, formigas, moscas, vespas, além do beija-flor, estão seriamente ameaçados de desaparecer em função do uso indiscriminado de pesticidas e agrotóxicos na agricultura. É claro que o balé harmônico de polinizadores como o beija-flor em volta das flores, à procura do néctar é encantador, mas a maior parte das pessoas desconhece como eles são essenciais à existência e manutenção da vida no planeta.


Relação de co-dependência


Já se comprovou cientificamente que pelo menos 75% das culturas do mundo depende da polinização por abelhas e outros polinizadores para se desenvolver e gerar frutos. Cientistas de todos os continentes concordam que a intoxicação dos polinizadores por agrotóxicos representa uma grave ameaça inclusive à sobrevivência do ser humano, caso nenhuma medida seja adotada.

A cada ano, os polinizadores naturais geram uma economia superior a R$ 483 bilhões, no caso das culturas beneficiadas pela polinização por insetos, e a quantia astronômica de R$ 2,435 trilhões quando se trata dos cultivos dependentes da ação dos polinizadores. O alerta é de que o declínio da quantidade de polinizadores pode levar à redução da produção de frutas, verduras e estimulantes (como café e chá) abaixo do necessário para o consumo atual global.

Nos Estados Unidos, a desordem e a desorientação das abelhas melíferas provocaram a perda de 90% das colmeias. Na Alemanha, França, Suíça e Península Ibérica, o desaparecimento das abelhas foi relacionado ao uso de inseticidas. O problema chegou ao Brasil e causou preocupação o extermínio de milhares de colmeias de abelhas africanizadas no estado de São Paulo.

É preciso exigir, entre as muitas coisas que precisamos, que os órgãos responsáveis tratem mais seriamente a questão. Uma das saídas é a capacitação de agricultores para conservar e utilizar os serviços dos polinizadores silvestres, bem como a utilização de defensivos agrícolas mais amigáveis (sim é possível!).

Precisamos produzir alimentos melhores, mais saudáveis e também preservar esse equilíbrio tão
frágil que pode acabar com a vida na terra do modo como a conhecemos. Dizem que o homem sobreviveu à uma grande extinção, mas se ele continuar extinguindo tudo que se move, a próxima extinção será a nossa.


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